eco-nomicus
22/09/2009
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Texto de Eduardo Almeida Reis (Capoteiro em Cipotânea) escreve um interessante texto
Este texto foi copiado no internet
Faço uma confusão dos diabos entre os canais de tevê, mas o filme passou no National Geographic, ou no Discovery. Assunto: malária. Um pesquisador da London School of Hygiene & Tropical Medicine, da University of London, viaja para a Amazônia boliviana e para a Tanzânia, leste africano, estudando os mosquitos transmissores da malária e os pernilongos comuns, os culicídeos que transmitem a filariose, elefantíase-dos-árabes. Quase todo mundo de Zanzibar, ilhota do Oceano Índico, tem elefantíase.
Dados interessantes que captei de oitiva, isto é, de ouvido: a proporção de anofelinos infectados com o protozoário da malária, na Amazônia, é de 1/10.000, enquanto no leste africano é de 1/10. Cerca de 36, das 360 espécies de Anopheles, transmitem o parasita da malária. O pesquisador londrino fala do 'temível' Anopheles gambiae, principal vetor da doença na África, onde morrem 3.000 crianças de malária por dia, isto é, cerca de 1.095.000 crianças por ano.
Coisa que também aprendi no programa: o anofelino amazônico pica mais tarde, quando a vítima já está debaixo do mosquiteiro, enquanto o A. gambiae busca o sangue das pessoas mais cedo, quando ainda não se meteram sob os cortinados.
O pesquisador concorda aqui com o degas: em assuntos maláricos, o segredo é não ser picado pelo mos quito. E a providência mais eficiente continua sendo o mosquiteiro, sem rasgões, com as barras presas sob o colchão. Pormenor importantíssimo: o dorminhoco não pode encostar no cortinado, que o anófele suga o sangue através dos buraquinhos.
Aí, o repórter-entrevistador, que viajava com o pesquisador, pergunta sobre a possibilidade de os mosquitos transmitirem o vírus HIV. Em linhas gerais, o pesquisador informa que honestamente não sabe responder, mas 'acha' que não transmitem, pois as crianças africanas HIV-positivas adquiriram o vírus através de suas mães, ou de transfusões de sangue.
Isso me faz lembrar de uma entrevista que li em 1991, quando todos os jornais do planeta só falavam do vírus da Aids. O bioquímico Michel Bounia, que, se fosse um perfeito idiota, não seria membro da Academia de Ciências da França, declarou que não havia nada que provasse que as pulgas e os mosquitos não pudessem transmitir o HIV. O assunto volta à balha agora que se aventa a hipótese, quase uma certeza, de que a doença de Chagas tenha sido transmitida a dezenas de brasileiros pela insuspeitada via oral, através do caldo de cana, em Santa Catarina, e do refresco de açaí, no Pará.
Mudando de mosquito, o culicídeo se reproduz em águas sujas, com

ênfase para as privadas africanas - buracos cavados no chão. O pesquisador destampava as tábuas dos buracos, de onde emergiam 'trilhões' de Culex adultos, além do cheiro insuportável. Como 'solução' barata e exequível para reduzir o problema da transmissão da filariose, os cientistas recomendam que a água suja do fundo do buraco seja coberta com bolinhas de isopor, que sobrenadam aquela porqueira du rante 10 anos, impedindo que os mosquitos botem seus ovos e que as larvas sobrevivam. Enquanto isso, em diversas regiões de Minas, anotam-se novos casos de malária autóctone, isto é, que não resultam de imigração ou importação de doentes. Tá maus!
(Capoteiro em Cipotânea)