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Infonline Chopotó!
Desde: 13/04/2009      Publicadas: 92      Atualização: 15/11/2011

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Estamos voltando aqui para dar uma chamada ao livro do escritor cipotaneano Nezito Reis que descrevem várias características do modo der Ser das Pessoas e da cidade. Vejam aí!

Estamos voltando aqui para dar uma chamada ao livro do escritor cipotaneano Nezito Reis que descrevem várias características do modo der Ser das Pessoas e da cidade. Vejam aí!

Um dia desses comprei passagem para Cipotânea. Durante a viagem minhas pernas pareciam fracas. Havia uma adrenalina bem alta em ação. Eu não tinha a menor idéia do que iria encontrar lá. No ônibus, eu estava ansioso, mexendo-me muito, impaciente mesmo. No início da descida da Serra do Desterro7, aos poucos me fui descontraindo. Puxei conversa com meu companheiro de viagem, que estava na cadeira ao lado do corredor. Fui logo indagando:
- Moço: sabe me dizer se tem pensão ou hotel na cidade?
- Tem o hotel do Chico Dias ali na Rua do Caminho, respondeu-me o jovem. - O Sr. não tem nenhum parente em Xopotó? - perguntou-me o rapaz.
- Acho que tenho, mas faz mais de vinte anos que não venho para cá. Tenho receio de não encontrar ninguém.
- De qual família o Sr é? - indagou-me o atencioso passageiro.
- Bem, tinha o Marin, irmão do Barão, que é meu tio. Você deve conhece-los, não? - perguntei.
- Ah, sim, eles são ali da Barra. Mas o Sr. pode ficar tranqüilo que vou levar o Sr. no bar do seu primo Vicente.
- Olha moço, falei pra ele, - fico muito agradecido pela sua atenção.
- Pode ficar sossegado que o Sr. está em casa. Tem muita gente lá pra receber o Sr. Não precisa de hotel nem de pensão.
- Poxa, vai lá pra casa se precisar, me falou o rapaz.
- Aproveito e tomo umas com você, eu lhe disse.
- Faz muito que o Sr. não vem a Xopotó?
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7- Desterro - Serra que circunda a cidade de Desterro do Melo.


- Perdi a conta. Não sei se vinte e dois ou vinte e três anos ausente. Nesse período, sem nenhum contato com os parentes. Sei apenas que meus avós, os quatro, e mais alguns tios já partiram. O tio Marin caiu no rio, contou meu pai, Pereira, irmão dele. O corpo foi achado três dias depois lá pra baixo do Xopotó: Caiu da pinguela8 , voltando pra casa, e sem beber nada naquele dia. Alguém passando pela estrada paralela ao rio, viu o corpo boiando a uns três quilômetros de onde ele havia caído. O cidadão, quando viu aquilo, correu com cipós e amarrou meu tio numa árvore. Feito isto, ele foi pra cidade avisar a todos. Interromperam as buscas que haviam iniciado tão logo Marin sumiu nas águas do Brejaúba. Meu primo Dimas estava com Marin naquela noite. Quando percebeu a falta do tio, àquelas horas da noite, Dimas mesmo transtornado, correu para avisar o Barão, o Cimim, o Zé Geraldo, o Carlos, o Zezinho do Nilo e outros tantos que moravam nas redondezas. Saíram todos com tochas e lampiões pras margens do rio. Noite em vão e triste. No dia seguinte apareceu considerável reforço vindo de Barbacena. Pessoal com treinamento do Corpo de Bombeiros e da E.P.C.AR9.
Trabalharam nas buscas sem nenhum resultado. Ao fim de três dias o corpo boiou. Ai acabou a agonia das buscas. A perícia constatou morte por afogamento. No corpo de Marin havia apenas alguns arranhões! Nada quebrado! Incrível, rolar por toda aquela distância por três noites e três dias, submerso no Brejaúba e em seguida pelo Xopotó! Não quebrar nada do corpo, em vista da corredeira, nos baixos da ponte de ferro, uma pequena cachoeira, com paus e pedras em seu caminho!
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8 -Pinguela - Tronco que serve de travessia sobre um rio.
9- E.P.C.AR - Escola Preparatória de Cadetes do Ar.


Marin era uma pessoa muito carismática. Por onde passou deixou saudades e grandes amizades. Ele sofria de incontinência urinária (urina solta). Vivia usando "calçolão" de plástico para evitar maiores constrangimentos. Trabalhava quase sempre na lavoura. Vez ou outra se aventurava a revender artesanato: bolsas de palha10, que os próprios parentes produziam. Às vezes saía pelos sítios comprando frutas para revender na feira em Barbacena.
Em Xopotó não havia feira e não há até hoje. As bolsas ele levava para Lafaiete, Barbacena, Juiz de Fora, São João e outras cidades da redondeza. Algumas vezes acompanhei meu tio pelas andanças de vendedor. Vendíamos todas as bolsas e voltávamos com algum dinheiro.
Falar de Brejaúba, saudades, muitas saudades!
Quando ando, não escrevo. Sentado nesta pedra fria não consigo me concentrar. A julgar pelo barulho do outro lado da rua deve ser samba ou pagode, sei lá.
Quando cheguei a Sampa passei maus bocados, sem ter ninguém, à procura de emprego. Época dura: ditadura, repressão, preconceito, etc. Na Brejaúba, no Vaivém, ainda pequenos, usávamos camisola11, os meus primos e eu, morando em local quase ermo. Visitando mais que visitado. De camisola ou não. Não faz diferença, a roupa era apenas para cobrir o sexo ou não pegar resfriado.
Pra evitar verme, piolho, bicho-de-pé12 , picada de cobra, camisola não servia. Pisando em bosta de bois, descalço, montando bezerros em folia, na casa de Chico Arantes, irmão de minha avó. Todos nós corríamos
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